{"id":6219,"date":"2021-11-12T15:09:58","date_gmt":"2021-11-12T18:09:58","guid":{"rendered":"https:\/\/camargoecamargoadvocacia.com.br\/?p=6219"},"modified":"2021-11-12T15:14:09","modified_gmt":"2021-11-12T18:14:09","slug":"se-eu-nao-quiser-me-vacinar-posso-ser-mandado-embora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camargoecamargoadvocacia.com.br\/index.php\/2021\/11\/12\/se-eu-nao-quiser-me-vacinar-posso-ser-mandado-embora\/","title":{"rendered":"Se eu n\u00e3o quiser me vacinar posso ser mandado embora?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left\">SEU DIREITO por&nbsp;ANDREA CAMARGO<br>&nbsp;<br>QUAL \u00c9 A POL\u00caMICA EM RELA\u00c7\u00c3O \u00e0 Portaria 620 da \u00faltima segunda feira?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia publicou a Portaria MTP n\u00ba 620, de 1\u00ba de novembro de 2021, que entrou em vigor nessa mesma data, proibindo, para fins de contrata\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o de trabalho, a exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de vacina\u00e7\u00e3o, configurando essa conduta como pr\u00e1tica discriminat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Essa regulamenta\u00e7\u00e3o foi vista com bons olhos pelos funcion\u00e1rios, uma vez que obriga-l\u00f3s a tal pr\u00e1tica viola o PRINC\u00cdPIO DA LEGALIDADE que impede que algu\u00e9m seja compelido a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sen\u00e3o em virtude de lei, in verbis:<br>Art. 5o (\u2026)<br>(\u2026)<br>II &#8211; ningu\u00e9m ser\u00e1 obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sen\u00e3o em virtude de lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Ent\u00e3o, como n\u00e3o h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o que obrigue o cidad\u00e3o a vacinar, n\u00e3o poderia o empregador obriga-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Ocorre que tal portaria tamb\u00e9m traz a pol\u00eamica quando em seu artigo 4, inova a cria\u00e7\u00e3o de direito at\u00e9 ent\u00e3o inexistente, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Art. 4\u00ba O rompimento da rela\u00e7\u00e3o de trabalho por ato discriminat\u00f3rio, nos termos do art. 1\u00ba da presente Portaria e da Lei n\u00ba 9029, de 13 de abril de 1995, al\u00e9m do direito \u00e0 repara\u00e7\u00e3o pelo dano moral, faculta ao empregado optar entre:<br>I &#8211; a reintegra\u00e7\u00e3o com ressarcimento integral de todo o per\u00edodo de afastamento, mediante pagamento das remunera\u00e7\u00f5es devidas, corrigidas monetariamente e acrescidas de juros legais;<br>II &#8211; a percep\u00e7\u00e3o, em dobro, da remunera\u00e7\u00e3o do per\u00edodo de afastamento, corrigida monetariamente e acrescida dos juros legais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">A possibilidade de reintegra\u00e7\u00e3o (hip\u00f3tese de suposta estabilidade provis\u00f3ria) por meio de portaria \u00e9 inconstitucional pela mesma raz\u00e3o anteriormente apontada (princ\u00edpio da legalidade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">E \u00e9 ainda ilegal, pois portaria tem por finalidade imediata a cria\u00e7\u00e3o, o resguardo, o reconhecimento, a modifica\u00e7\u00e3o ou a extin\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas subjetivas, em mat\u00e9ria administrativa (J. CRETELLA J\u00daNIOR \u2022 Do ato administrativo. 1972. p. 32) e n\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o trabalhista entre particulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">E a pergunta \u00e9 muito simples: Portaria \u00e9 lei? N\u00e3o. Portaria n\u00e3o \u00e9 lei. Por esta raz\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser fonte de obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">FONTE DE OBRIGA\u00c7\u00c3O NO DIREITO BRASILEIRO \u00c9 A LEI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Do mesmo modo, Lopes Meirelles, preso ainda ao eterno conceito de portaria, define-a como os &#8220;atos administrativos internos. E as portarias, como os demais atos administrativos internos, n\u00e3o atingem nem obrigam aos particulares, pela manifesta raz\u00e3o de que os cidad\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o sujeitos ao poder hier\u00e1rquico da Administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221; (Direito administrativo brasileiro. 2. ed. 1966, p. 192).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Portanto, os sindicatos devem ficar atentos \u00e0 futura declara\u00e7\u00e3o de ilegalidade desta portaria antes de moverem a m\u00e1quina do judici\u00e1rio e sob risco de terem que arcar com o \u00f4nus desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Fiquem atentos ao SEU DIREITO e procurem um advogado de confian\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">ANDREA CAMARGO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEU DIREITO por&nbsp;ANDREA CAMARGO&nbsp;QUAL \u00c9 A POL\u00caMICA EM RELA\u00c7\u00c3O \u00e0 Portaria 620 da \u00faltima segunda feira? 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